quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Doença das Lipoproteínas | Medicina Vascular | Aterosclerose | Inflamação - Professor Doutor Meireles-Brandao

LIPOPROTEINAS

Genética - Imunologia - Inflamação

- processos fundamentais e decisivos na Doença Aterosclerótica 


Apresentação de uma reflexão cientifica, baseada na evidencia, sem preconceitos nem estados de alma, mas com a convicção de que após todo este longo e profícuo esforço das Ciências Medicas que, recorde-se, dura desde há mais de 50 anos a trilhar o caminho de combate inicialmente com o foco nos Lipidos onde pontificava o Colesterol total e nas suas relações com a Doença Cardiovascular (DCV) em particular o Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM).

 A evolução foi sendo lenta mas sustentada, era estimulante no sentido da busca de novos horizontes de conhecimento, foi evoluindo para a particularidade com o estudo e cada vez melhor compreensão da importância e dinâmica das Lipoproteínas. 

Este passo foi decisivo para os resultados de excelência conseguidos, permitiu que se entendesse a interação das mesmas para iniciar e desenvolver a doença aterosclerótica, permitiu-nos chegar a um ponto atualmente muito elevado na compreensão dos processos para a Doença  Aterosclerótica.

Mas as Lipoproteínas, essas até então ilustres desconhecidas na sua génese, estrutura e densidade, na sua relação com a fisiologia e metabolismo dos Lipidos, assim como na sua interações seja ao nível do endotélio, da intima media e na sua relação com o processo imunológico que desencadeiam com consequente potencial inflamatório,  reservaram sempre algum mistério na sua expressão desafiando-nos a investigar as suas diversas formas, as variadas ações e as suas implicações na Biologia e dinâmica Vascular.

Hoje, para além dos tradicionais Triglicerídeos e Colesterol total, conhecemos melhor as Lipoproteínas: 

1) Lipoproteína de baixa densidade (LDL) e a sua inter-relação com o processo inflamatório, imunológico e aterosclerótico,

 2) Lipoproteína de elevada densidade (HDL) ainda muito pouco conhecimento relativamente as HDL, sabendo-se que em excesso tem potencial aterogênico idêntico àquele atribuído às LDL e, que em valores infra normais (menor que 60 mg/dl será indicador de futura DCV e em valores inferiores a 40 mg/dl ou menos irá cursar com DCV e Metabólica sendo que nestes casos existe um forte componente familiar relativamente as doenças Metabólicas e DCV, 

3) Lipoproteínas de Intermedia densidade (IDL) são as grandes desconhecidas e atualmente sem possibilidade de se dosear no conteúdo plasmático,  

4) Lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL) são bem conhecidas, tem forte relação com os Quilomícrons e com a ingestão alimentar de Lipidos em particular também com os Triglicerídeos,

5) Lipoproteína(a)  |Lp(a)| que durantes décadas era simplesmente olhada de soslaio, como mais uma sem qualquer ação efetiva e uma mera desconhecida de forte influencia genética. Desde 2010 tem vindo a ganhar uma inquestionável robustez cientifica que sustenta e esclarece das suas interações e das suas repercussões com ligações intimas à patologia das DCV e Metabólicas. 

Não se conhecendo até este ano qualquer intervenção terapeutica dirigida e efetiva diretamente na Lp(a), lacuna esta que foi revista com os resultados preliminares do estudo Lp(a)Horizon iniciado em 2019 com terapeutica ASO e concluído este ano.

 Os resultados definitivos e globais ainda não foram apresentados, sabendo-se que reduz substancialmente a Lp(a), mas que este  efeito não se repercute na redução de eventos cardiovasculares major (ECVM) que constituía o alvo prioritário, pelo que nos resta aguardar a analise dos resultados globais do estudo.

Com tantas Lipoproteínas, com algumas certezas, com imensas duvidas e com tanto desconhecimento que ainda persiste sobre cada uma delas, será motivo para a comunidade cientifica e clinica, porque interessada nesta área reconheça as diferenças e dinâmicas entre as lipoproteínas, as limitações de conhecimento e, que se comece a lidar com cada arvore em vez de olhar para a imensidão do mundo que é a floresta das Lipoproteínas. 

Sim, deverão ser abordadas enquanto entidades próprias no contexto metabólico, com caraterísticas próprias sejam elas bioquímicas, imunológicas e fisiológicas, que permitirão impulsionar para a necessidade de uma nova matriz na abordagem e de investigação que resultará em mais e consistente conhecimento cientifico. Devem passar a ser "abordadas e estudadas" enquanto entidades individuais sem que se deixe "debaixo do tapete do conhecimento" aquilo que efetivamente sobre elas ainda desconhecemos, e que é imenso! 


DOENÇA DAS LIPOPROTEINAS


Uma designação que vai permitir abordar cada patologia individual no seu todo fisiológico e metabólico, mas acima de tudo irá gerar sinergias e interações na investigação cientifica e na prática clinica altamente diferenciada pelas sinergias que irá estabelecer e fomentar nas diversas envolvências.


TEMPO DE SE ACABAR COM A REFERENCIA AO "COLESTEROL"


Parece uma banalidade quiçá até mesmo um retrocesso, mas mais do que isso, é o reconhecimento das imensas limitações que apesar de tudo ainda persistem relativamente ao papel que as Lipoproteínas desempenham na biologia humana e em particular, no processo imunológico e inflamatório conducente ao processo arteriosclerótico. Estas limitações são aproveitadas pelos pseudocientistas, delatores e vendedores de "milagres" que não se cansam de banalizar toda a evidencia cientifica acumulada para assim conseguirem os proveitos das suas mestrias falaciosas. 

Será pois um passo decisivo para preservar e afirmar todo o conhecimento adquirido com os imensos sucessos e também com os insucessos aprendidos nestes últimos 50 anos. 

Preservar esta memoria cientifica que também é cultural, será fundamental para evitar que "oportunismos com fins inconfessáveis" se expressem contra as "tais doenças do colesterol" e façam "pregações para vender os seus milagres" aproveitando a simplicidade e a generosidade dos Doentes que só pretendem sentir que terão futuro e que alguém efetivamente os cuida

 Se persistirmos com as "Doenças do Colesterol" e alimentarmos a "retorica do Colesterol" estamos a prestar um péssimo serviço a ciência que fica sem ambição e sem horizontes e, enquista-se (como já vem acontecendo em várias publicações), prejudicamos os doentes que ficam confusos com mensagens dispersas, mensagens muito complicadas (ApoB, Colesterol bom e mau, não-HDL, ApoA, Colesterol Remanescente, etc.) dificilmente apelativas e integrativas. Mas para além de tudo isto, também contribuímos para uma confusão e intriga inimiga da adesão a terapeutica que também não será a ideal.




PATRIMONIO CIENTIFICO E CULTURAL ADQUIRIDO


 As Lipoproteínas nas varias apresentações, o processo de iniciação e desenvolvimento da Aterosclerose, a Doença Aterosclerótica e todas as suas consequências a nível Metabólico, Cardiovascular, Comportamental  resultam hoje num nível de conhecimento que jamais havia sido alcançado e, com resultados na eficiência que permitiu reduzir de forma espetacular a mortalidade e a morbilidade cardiovascular e metabólica para valores jamais sequer sonhados. 

É certo que ainda há muito caminho pela frente e, enquanto houver caminho tem de se percorrer, sempre e cada vez mais difícil e árduo porque o RCVR ainda é muito elevado. Mas estas décadas de estudo e investigação resultam num património Cientifico e Clinico da Humanidade sempre a servir as pessoas e por isso é um Património para preservar. 


TANTO CONHECIMENTO, UMA NOVA MATRIZ DE INVESTIGAÇÃO


Com tanto conhecimento adquirido, vasto, multidisciplinar, rico e tão profícuo que nos facultou resultados simplesmente espantosos na redução do risco cardiovascular e metabólico, eis que hoje, todo este manancial cientifico e clinico  deixa-nos de "queixo caído" porque ainda não nos permite ter explicações para justificar o elevado risco cardiovascular residual  (RCVR) demasiado alto e que continuará a persistir elevado com todas as suas consequências.




Certamente porque chegamos ao fim da linha. Sim de uma estrutura de pensamento e de ação que ainda é semelhantes aquela perdura desde há duas décadas e que consiste em, identificar a doença, resolver os processos agudos do momento, mitigar as suas consequências e, simplesmente viver numa prevenção secundária que também já dá sinais de esgotamento face às evidencias da "neoaterosclerose". 


NOVA AMBIÇÃO MELHOR INVESTIGAÇÃO CIENTIFICA


Uma nova postura verdadeiramente inovadora em ambição e focada na verdadeira prevenção primária da doença,  determinará novos  desenhos de estudos e de projetos de investigação que serão mais profícuos e, certamente ultrapassaremos esta fase de estagnação cientifica em que, salvo raras exceções, vários estudos tem como destino falhar objetivos (Zeus, Athena, em parte o Horizon etc.) e outros falharão quando se reportam à mitigação das consequências e menosprezam as envolvências da causa. 

Sim,  também porque no desenho desses estudos limitaram-se a abordar as consequências do processo aterosclerótico, correram atrás dos prejuízos fundamentados em aprendizagens adquiridas com resultados de danos patológicos. Propunham-se mitigar os danos e respetivas consequências e, não se propõem estudar a causa, a origem e o inicio do processo porque só esse permitirá soluções duradoiras e efetivas. 

Chegamos a um ponto de viragem que exige nova ambição perante os atuais conhecimentos e mecanismos interdependentes que se iniciam, desenvolvem e amplificam a estruturação de uma doença, mas que depois de esta estar consolidada só resta mitigar as suas consequências.

A dedicação e a visão que temos de dispensar a este processo terá de beneficiar de um novo "mindeset no desenho e na investigação cientifica" e retornar ao principio da doença se pretendermos efetivamente curar em detrimento da mitigação. 


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sábado, 16 de maio de 2026

Lipoproteína(a) pela primeira vez em Portugal | Participação para uma "nova era" no Risco Cardiovascular ...| Professor Doutor Meireles-Brandao

 Lipoproteína(a) pela primeira vez 

- uma nova era na abordagem do Risco Cardiovascular

A Lipoproteína(a) sempre nos fascinou pela sua complexidade bioquímica e molecular, pelos suas caraterísticas e, principalmente, pelas repercussões cardiovasculares e metabólicas. 

Iniciamos a sua avaliação na prática clinica em 1995 desconhecendo o verdadeiro fundamento deste ato que então tinha mais de intuitivo do que prático,  mas tínhamos a percepção que estávamos perante algo algo que precisava de ser avaliado e estudado.

Decorreram os anos e em 2010 tínhamos uma pool de 1776 doentes com Lipoproteína(a) avaliada regularmente durante vários anos para além do perfil lipídico, metabólico e clinico.

Dispúnhamos de todas as condições para dar inicio a um projeto de investigação retrospectiva no sentido de tentar compreender o que sucedia com os nossos doentes e, tudo fazer para entender a relação da Lipoproteína(a) no contexto metabólico e cardiovascular. 

Elaboramos o projeto de investigação, todo o processo que envolvia o consentimento informado dos doentes e submetemos à Comissão de Ética do Hospital de S. João.

Assim iniciamos em 2010 um longo e difícil processo de investigação clinica e cientifica, completamente inovador e pioneiro no nosso País, abordando uma área cientifica cujo tema ainda hoje comporta duvidas, angustias, incertezas e imensas paixões. 

Será importante contextualizar o inicio deste projeto, porque começou a acontecer numa altura em que o nosso País se encontrava em  plena e grave crise financeira, onde todos desconfiavam de todos … e, também por isso aconteceu que foi muito difícil a obtenção do consentimento dos doentes, deparando-nos com imensas recusas e/ou omissões.  

Decorridos estes anos, sentimos que da nossa parte resultou um extenso contributo para se estruturar um melhor conhecimento e uma melhor percepção do valor da Lipoproteína(a), também a nível nacional e no contexto metabólico, cardiovascular e clinico. Aliás uma importância que hoje lhe é conferida pela ciência e pelos pares, mesmo e apesar das imensas respostas que ainda se aguardam nomeadamente aquela que conduza a uma terapêutica de precisão.

O nosso trabalho continuará "ate que nos doía a alma" porque o fascínio pela Lipoproteína(a) assim como pelas responsabilidades e interações que a mesma acarreta a nível metabólico e cardiovascular são um forte estimulo para manter a guarda e a disponibilidade para a ação. 

5 publicações cientificas no Top 10 nacional desde 2015



LIPOPROTEINA(a) e RISCO CARDIOVASCULAR | Professor Doutor Meireles-Brandao



segunda-feira, 6 de abril de 2026

Professor Doutor Meireles-Brandao | Professor de Medicina pela FMUP

 A virtude, como a saúde, não se pega. 

Só a doença é contagiosa e, o foco do nosso combate!





Professor Doutor Joaquim A. Meireles-Brandao pela FMUP - Consultor Senior em CM-B.ClinicalService

 



CORAÇÃO - VASOS - CEREBRO

 





Revisor Oficial da ACTA MEDICA PORTUGUESA | Professor Doutor Meireles-Brandao

 

REVISOR OFICIAL DA ACTA MEDICA PORTUGUESA



Sindrome Depressivo vs Fadiga Crónica. Qual o papel da pressão arterial - XXXVI Congresso Português de Cardiologia . CPC

 

36º Congresso Nacional de Cardiologia

Comunicação



Tratamento da Dislipidemia no Contexto Metabólico - 14º Congresso Nacional de Hipertensão da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH)

 


Comunicação no Congresso Nacional de Hipertensão

2020